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Preço da saca de café deve ficar estável em R$ 1,2 mil com início da safra, dizem especialistas do setor

Recordes de preços foram registrados em janeiro e fevereiro de 2022 com valor da saca ultrapassando mais de R$ 1,5 mil.

28/04/2022 09h17
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Por: Redação
Preço da saca de café deve ficar estável em R$ 1,2 mil com início da safra, dizem especialistas do setor

Depois de ter alcançado valores próximos a R$ 1,5 mil no início de 2022, a saca de café arábica teve uma queda de valor em março e deverá ficar em torno de R$ 1,2 mil ao final de abril. Segundo especialistas, é provável que o preço fique estabilizado a partir de maio, com o início da safra 2022 e chegada das novas sacas de café no mercado.

Conforme demonstrativo da Cooperativa Regional de Cafeicultores em Guaxupé (Cooxupé), http://portalweb.cooxupe.com.br:8080/portal/precohistoricocafe.jsp, é possível acompanhar a trajetória do preço da saca do café arábica desde 1981. Olhando para a trajetória do preço da saca em 2021, é possível ver que, em janeiro, o valor era de quase R$ 640. Em julho, o preço chegou a cerca de R$ 763 e fechou o ano em exatos R$ 1.446,66. Portanto, ao longo de 2021, o café teve um ganho de preço de R$ 807,43. Uma alta de 126,31% se comparado ao preço de janeiro.

Já em 2022, o valor da saca de café bateu seus recordes. Também de acordo com esta tabela, a saca fechou janeiro sendo comercializada a R$ 1.480. E em fevereiro o valor pago na saca foi de quase R$ 1.489,00. Ainda em fevereiro, a Cooperativa Agrária de Machado (Coopama) chegou a comercializar a saca de arábica em R$ 1.550.

Para o especialista em cafés da Coopama, Kevin Mai, a alta do café em 2022 foi provocada por vários fatores como aumento dos custos de produção por adubos e defensivos. Ele fala ainda da tendência do mercado em estabilizar os preços assim que as sacas colhidas em 2022 começarem a chegar.

“Hoje o mercado mudou um pouquinho porque o dólar está tendo muita variância. O café bom está valendo uns R$ 1.240 hoje. Como está entrando na safra nova, é muito difícil que o preço suba. O preço deve se manter no valor que está. A tendência é o preço começar a cair assim que houver oferta dos novos produtos que estão chegando no mercado”, apostou.

Mesmo com as tendências, Mai reforçou que é difícil fazer previsões. “O mercado tem mudado muito rápido. É difícil prever com exatidão. O dólar tem caído e subido muito rápido”, ressaltou.

Para o diretor executivo da Associação Brasileira da Indústria do Café (Abic), Celírio Inácio da Silva, todo início de safra provoca uma queda de preço.

“Estamos entendendo que esse preço não tem expectativa de queda e nem de subida. Entendemos que, até no início de junho, os preços devem se manter. O café tem se mostrado muito resiliente a todas as dificuldades apresentadas”, disse.

Ele também comentou que, em novembro e dezembro de 2021, “todos entendiam que a safra seria muito mais complicada do que está se desenhando agora. Já surgiram expectativas de uma safra melhor. E estamos com um mundo ainda em expectativa. E temos uma safra que vai iniciar agora”, falou.

O CCC-MG

O presidente do Centro de Comércio de Café de Minas Gerais (CCCMG), Archimedes Coli Neto, falou sobre os preços do arábica nos primeiros meses de 2022 e a expectativa futura. Segundo ele, o mercado teve uma queda devido a vários fatores, principalmente, por causa da guerra.

“Houve um deslocamento geral em operações de bolsa e fundos e o mercado ficou um pouco perdido nas consequências da guerra. Automaticamente, o mercado sentiu um pouco e, nos últimos dias, vem se recuperando dentro de uma expectativa de normalidade e de uma safra de arábica um pouco menor”, explicou.

Archimedes também acredita que os preços vão achar um patamar de consolidação.

“Vai depender muito do frio, se vai ter um inverno rigoroso ou não. É muito difícil falar o que vai acontecer amanhã com o mercado de café mas ele tem se mostrado dentro de uma normalidade, de um patamar de estabilidade nos preços. Isso é bom porque não provoca mudanças muito rápidas que possam atrapalhar o consumo. O mercado trabalhando de uma maneira mais previsível é bom para todos nós”, disse.

A visão dos industriais

Durante entrevista coletiva no início de abril, o presidente da Abic, Ricardo Silveira, falou sobre as expectativas do mercado em 2022.

“Se considerarmos tudo que passamos no ano passado, o café navegou e saiu-se muito bem. Tivemos uma geada que dizimou cafezais em 2021 mas, mesmo assim, conseguimos superar as expectativas. O mercado dizia que faltaria café. E hoje nós temos café. Talvez não daquela qualidade que muitos desejam mas temos ainda muitos cafés da safra passada. Ou seja, a expectativa do mercado foi desfeita e isso resulta em preço”, disse.

Ele também comentou que o café “não alavancou como muitos imaginavam”.

“A saca de café chegou a ser citada até R$ 1.500, R$ 1.600 e até mais. Mas a saca hoje já caiu razoavelmente. As chuvas ajudaram e muito. Tivemos chuva na hora certa, no momento exato - o que beneficiou muito as lavouras. E isso vai nos disponibilizar uma safra bem razoável”, emendou.

 

Silveira também disse que o preço dos fertilizantes não influenciará a produção porque os produtores só vão comprar adubo em setembro. “Acredito que até lá as coisas voltarão ao normal com relação a preço de fertilizantes”, afirmou.

Safra

Um Levantamento Sistemático da Produção Agrícola de março, divulgado na primeira semana de abril de 2022 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), prevê uma produção estimada para o café arábica de 2,3 milhões de toneladas, ou 38,7 milhões de sacas de 60 kg. Isso representa um aumento de 0,6% em relação ao mês anterior, e crescimento de 20,9% em relação ao ano passado.

Ainda segundo informações do levantamento, 2022 é ano de bienalidade positiva. Porém, o clima seco e frio do inverno de 2021, aliado à ocorrência de geadas em algumas regiões produtoras, diminuirá o potencial da produção.

Em janeiro de 2022, a Conab divulgou seu primeiro levantamento sobre a safra de café em 2022. A companhia estimou a produção de arábica em quase 39 mil sacas de café beneficiado.

A região Sul de Minas e o Centro-Oeste apresentavam juntas uma área cultivada de cerca de 491 hectares e com produção de 13.968,5 mil sacas beneficiadas no levantamento.

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