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Crônicas Amparenses

ESTUDANTE DO COLÉGIO

A Escola Newton Ferreira de Paiva

Crônicas Amparenses

Crônicas AmparensesColuna semanal com crônicas do advogado e escritor Rômulo Resende Reis. O autor é natural de Santo Antônio do Amparo, advogado e escritor, é professor do curso de Direito do UNILAVRAS, Mestre em Direito e membro da Academia Lavrense de Letras. Trás nas suas crônicas lembranças afetivas e um pouco da história de Santo Antônio do Amparo, assunto que tem pesquisado com afinco nos últimos tempos visando a publicação de um livro sobre o tema.

22/08/2019 14h43
Por: Matheus

Outro dia escrevi uma crônica abordando meus tempos no Grupo Escolar Ari Carlos e alguns amigos de pronto me indagaram se também teria estudado no Colégio. Sim, também fui, com muito orgulho, estudante da Escola Estadual Newton Ferreira de Paiva.

                De tempos do antigo grupo escolar, o sonho de todo jovem estudante era  “passar para o Colégio”. Aquela época, ainda funcionando próximo a prefeitura, no prédio hoje conhecido como CIRP, mas para nós um pouco mais antigos, o popular “Colégio Velho”.

                A minha época o “Colégio Velho” já se encontrava desativado, passando a Escola Estadual Newton Ferreira de Paiva a funcionar em sua sede atual, no prédio localizado a Avenida Alberto Cambraia Neto, mais conhecida como Contorno. Prédio este que em minha tenra infância pude acompanhar a construção, suntuosa para os padrões de então, já demonstrando a importância do educandário para a cidade.

                Menino tímido de então, a passagem do Grupo Escolar para o Colégio foi marcada por vários fatos, listo-os: primeiro, deixávamos para trás nossas queridas “tias” do Grupo Escolar, a partir de então, de modo solene, as queridas professoras eram respeitosamente chamadas de “donas”; outro fato marcante, ao invés de uma única professora, em um único dia tínhamos aulas com vários professores de matérias distintas e, a principal mudança, pela qual todos ansiavam, não escreveríamos mais com lápis, a partir de então, nos sentindo quase adultos, poderíamos usar canetas.

                A nova escola representava para nós estudantes uma mudança de status, não erámos mais crianças e sim jovens na pré-adolescência. Lembro-me com saudade do ambiente do colégio e principalmente dos colegas. Junto com a maioria dos que me acompanharam do Grupo Escolar, agora nos fundíamos também aos queridos amigos egressos do “Grupo de Cima”, ou seja, da Escola Cícero Ferreira, formando uma verdadeira irmandade, cujas amizades carrego até os dias de hoje.

                Para além das primeiras noções de matemática, ciências e português, foi no Colégio que tomamos contato com as matérias mais avançadas, ministradas pelos professores especialistas em cada uma. De minha época, e creio ser esta uma tradição que perdura até os dias de hoje, contávamos com um grupo excelente de professores no Colégio, professores estes que nos davam sólida formação e fizeram com que muitos de meus colegas (não eu, infelizmente) se destacassem posteriormente em outras escolas em Oliveira, Lavras, Belo Horizonte e por este mundo afora. Certamente fruto da base sólida ministrada pelos professores do Colégio.

                Destes guardo especial lembrança, das professoras de português, “donas” Rose Milani, Rosarinha e Silvana Rodrigues, competentíssimas professoras que me mostraram o intricado caminho da língua; de matemática “donas” Eliana Lage e Anésia Avelar mestras inigualáveis na matéria; na geografia tínhamos  as professoras Dêmine e  Lígia, inglês dona Elaine, história o inesquecível Donizete Campideli, que desde muito cedo me fez ter especial afeição pela matéria e que desenhava de cabeça todos os mapas possíveis no quadro. Lembro-me de todos eles, das professoras Sandra Lima, Reginaldo Lage, Rosa Meire, Hélio Carneiro, Padre Edir, Lúcia Lage, Maristela Rodrigues, que dominava a química como ninguém. Sem esquecer do professor Trajano de Educação Física, uma figura marcante na época e tantos outros que minha fraca memória me impede de nomear. Guardo especial lembrança e muita gratidão a todos eles porque o muito que me ensinaram me acompanha até os dias de hoje e como professor sempre me espelho nos meus velhos mestres.

                Diferentemente da época do Grupo Escolar, lembro-me que os intervalos no colégio eram mais curtos, de menos brincadeira. O grande prédio era algo escuro, os corredores ecoavam o menor dos gritos. Já entrando na adolescência erámos mais comportados, descíamos as escadas até a cantina onde nos eram servidas deliciosas refeições.

                Outra passagem marcante na memória, já nos anos finais eram as aulas de ciências ministradas pelo professor Mauro, de Lavras que tinha como atividade prática a manutenção pelos alunos de uma pequena horta que ficava no lado esquerdo do colégio. As sextas feiras as últimas aulas do oitavo ano eram passadas entre as plantas, dando manutenção nos canteiros e plantando legumes que eram entregues na cantina. Com saudade me lembro do amigo Marlon chafurdando os canteiros e sujando todo o uniforme.

                Dia destes revirando meus guardados me deparo com a antiga caderneta vermelha do Colégio na qual se carimbava todos os dias a frequência dos alunos “presente” ou “faltoso” e se lançavam todas as ocorrências e traquinagens que cometíamos, para além das temíveis notas bimestrais. Confesso que me bateu uma saudade sem tamanho, uma vontade enorme de entregar a velha carteira no colégio e quem sabe ver o carimbo de “presente”, trazendo para o hoje um passado de tão significativas lembranças.

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