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Cultura Crônicas Amparenses

COMO BOM AMPARENSE, TAMBÉM GOSTO DE BAR.

Lembranças de copo cheio

28/02/2020 15h25
1.536
Por: Redação
COMO BOM AMPARENSE, TAMBÉM GOSTO DE BAR.

Dia destes olhando velhos papéis no sítio me deparo com um estranho e antigo livro caixa. Folheando as velhas páginas qual a surpresa ao ver que aquele velho livro de conta corrente se referia a um bar que meu pai um dia teve em Santo Antônio do Amparo, o qual infelizmente não conheci. Todos que conheceram pai vão se lembrar  que o velho era bom de copo, legado que passou aos filhos, em especial ao mais novo.

            Daí um passo para me recordar dos velhos bares de Santo Antônio do Amparo. Neste ponto, quanto a um fato todos vão concordar comigo: o amparense, como o mineiro em geral, é bom de copo. Não abre mão de uma cerveja gelada sempre acompanhada de uma boa pinga, isto é incontestável.

            Em meus tempos de criança, ainda fã de guaraná, lembro-me do quinteto sagrado dos bares amparenses. Em inícios da década de 80 certamente todos tinham como escolha os bares do Madeira, do Homero, do Moacir, que funcionava também como rodoviária, do Sr. Lulu e o bar do Sr. Otávio. Sem ainda me interessar por bebida curtia muito mais os pastéis e aqueles baleiros redondos de vidro, com recipientes apartados contendo guloseimas tão caras as crianças. Do bar do Sr. Otávio me lembro de ainda moleque lá comprar toda sorte de bugigangas, em especial bolas de gude coloridas, sendo as mais valiosas as conhecidas como dentes de leite.

            Destes, anos depois frequentei o bar do amigo Madeira, um dos mais antigos da cidade, que funcionou de forma ininterrupta até Deus chamar Madeira para o andar de cima. Com saudade recordo dos papos com Madeira e meu pai a mesa, escutando boa música italiana antiga além é claro de música caipira de verdade. Também frequentei o bar do Sr. Otávio, já a época do Décio e Vicente e mais recentemente com o Rubens, ainda ativo, mantendo o visual da antiga venda.

            De meus tempos de jovem, já na década de 90, o ponto central era o Bar Verso e Prosa, onde hoje é a cervejaria do amigo Veltinho. Também me lembro de porres homéricos no Refúgio´s, regados a Kaiser Bock e Malt 90. Depois sempre vinham as velhas discotecas no clube, ainda na época do inesquecível Tio Ildeu. Nestas ocasiões tínhamos grana para somente uma Malt 90 para cada, certamente Marlon, Rodrigo e o Erivelton ainda devem se recordar.

            Com o tempo os bares foram se modificando, se sofisticando, fugindo um pouco daquele aspecto de “venda do interior”. Era muito comum em épocas de festas na cidade termos bares de ocasião, montados em lotes no centro,  aquele tempo ainda vagos. Outros marcaram época na cidade, como os bares na Cida Lage e Sandra Lima (um até montado no aeroporto), o “Neveras” e muitos outros que fizeram sucesso, mas não duraram. Era comum também em época de férias na faculdade a turma toda se reunir na cidade, chegados de Alfenas, Piracicaba, Lavras e de todos os cantos. Eu e meus amigos fazíamos uma verdadeira peregrinação por quase todos os bares da cidade, conhecendo inclusive ótimos bares nos bairros mais afastados do centro.

            Outro ponto de parada obrigatória era o bar do Sr. Antônio Cereda no Bairro Progresso, herdeiro do legítimo Bar do Sr. Oswaldo Cereda, que ficava na antiga residência dos médicos. Acredito que nunca comi um pé-de-porco como o feito pelo Sr. Antônio, sem esquecer também dos grandes papos com o amigo Serginho.

            Atualmente confesso que me encontro totalmente desatualizado em matéria de bares e botecos amparenses. Já morando fora a algum tempo e com a rabugice que a idade traz, confesso gostar mais de aproveitar meu parco tempo ocioso no sítio, o que me afastou dos bares. Embora não tenha perdido o hábito da cerveja, prefiro beber no sítio, o que faço com prazer na companhia de amigos queridos, os quais a par de minha chatice não me deixam beber e mentir sozinho, graças a Deus.

            Mas ainda assim o amparense, como bom de copo que é, ainda tem ótimas opções, dos quais conheço os bares do Rubens, do Abílio, do Remendão, o Zezinho e com certeza deve ter muitos outros a fazer a alegria dos, que como eu, são amigos de um bom copo cheio e uma boa conversa. Continuemos o legado....

Crônicas Amparenses
Sobre Crônicas Amparenses
Coluna semanal com crônicas do advogado e escritor Rômulo Resende Reis. O autor é natural de Santo Antônio do Amparo, advogado e escritor, é professor do curso de Direito do UNILAVRAS, Mestre em Direito e membro da Academia Lavrense de Letras. Traz nas suas crônicas lembranças afetivas e um pouco da história de Santo Antônio do Amparo, assunto que tem pesquisado com afinco nos últimos tempos visando a publicação de um livro sobre o tema.
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