TERRAKASA IMOBILIÁRIA
amparense
Tapwear
Crônicas Amparenses

O GRUPO DE BAIXO: MINHA ESCOLA ARI CARLOS

Lembranças de uma escola

Crônicas Amparenses

Crônicas AmparensesColuna semanal com crônicas do advogado e escritor Rômulo Resende Reis. O autor é natural de Santo Antônio do Amparo, advogado e escritor, é professor do curso de Direito do UNILAVRAS, Mestre em Direito e membro da Academia Lavrense de Letras. Trás nas suas crônicas lembranças afetivas e um pouco da história de Santo Antônio do Amparo, assunto que tem pesquisado com afinco nos últimos tempos visando a publicação de um livro sobre o tema.

08/07/2019 15h55Atualizado há 1 semana
Por: Renato Pereira Torres
488

Em toda eleição, para além de meu dever cívico, tenho um compromisso muito agradável: rever meu Grupo Escolar “Ari Carlos Cambraia”, o qual infalivelmente em todas as eleições amparenses serve de local de votação com inúmeras seções eleitorais, dentre outras a minha.

                Nas longas filas me pego a divagar e lembrar os velhos e felizes tempos de estudante do ensino primário passados entre os muros do antigo “Grupo Escolar Ari Carlos Cambraia”, hoje escola municipal. De pronto me vem a lembrança de tantas amizades forjadas desde aquela época. Os colegas de escola que levo comigo pela vida, dentre tantos Marlon, Fabrício, Adriano, Alcione, Rinara, Isamara, Elimara, Marcinha, Juliana, Joelma, Marcos, Clayton, Newton Paiva, Viviane e tantos mais que não cito todos por não confiar mais na memória. Erámos orgulhosos estudantes do “Grupo de Baixo”, fazendo contraponto aos estudantes do Grupo Cícero Ferreira, este o “Grupo de Cima”.

                Lembro-me em especial daquela primeira sala à direita de quem entra, onde no primeiro ano com a inesquecível “Tia” Imaculada Pimenta alfabetizei-me, apaixonando-me pela escrita e pela arte de “desletrar” com diria Guimarães Rosa. Depois o segundo ano com “Tia Nazaré”, o terceiro com a saudosa “Tia Silvana de Deus” e no quarto ano “Tia Lílian Avelar”. Tantos conhecimentos, tantos folguedos, tantas brincadeiras que a memória não me deixa esquecer. Fica uma imensa saudade de todas as “tias” do ensino fundamental,  depois delas as “donas” no colégio e científico, depois os sisudos doutores que até a pouco ainda dividiam comigo o conhecimento.

                Para mim, um apaixonado pela leitura, o melhor local da velha escola, depois de alfabetizado, era a biblioteca, um verdadeiro paraíso onde na minha ficha, salvo engano de número 80, eram lançados os inúmeros livros que feliz levava para casa a que me consumiam horas a fio de leitura. Sem contar o carinho e o sorriso das queridas “Tia Renata” e “Aparecida” que com paciência atendiam a todos nós, moleques ávidos por leitura e por aquelas maravilhosas seções de cineminha, onde através de um projetor se passavam slides enquanto Tia Renata lia as estórias que tanto nos encantavam.

                Lembro-me com saudade das horas cívicas, onde em filas ordenadas dos menores para os maiores ouvíamos e cantávamos o hino nacional. Das fichas de escrita onde em caligrafia primorosa escrevíamos o nome do presidente, do governador, do prefeito e da diretora da escola. Na minha época duas grandes diretoras, Maria Helena Carvalho Lage e Magda Martins.

                Choro ao lembrar minha saudosa madrinha, Irene Lopes, que com seu rigor nos levava para a biblioteca para “tomar” a leitura e a tabuada, esta última tínhamos que saber de cor. Talvez venha desta época minha birra com a matemática.

                A hora do recreio era de festa, quando havia chuva no vão central os fossos existentes se enxiam de água, formando ali algo próximo de um pequeno rio, onde lançámos nossos barcos de papel. A cantina, então enorme, era tomada por um bando de crianças, onde em algazarra formávamos filas para a invariável sopa de macarrão, ou talvez, um leite achocolatado com bolachas que nos eram servidos com um especial carinho pelas “cantineiras”. Além é claro do pão com molho que era vendido por Dona Udet Frayha, um pãozinho com um molho vermelho de cebola, e era tão bom.

                As aulas de educação física eram um momento a parte. Ainda não existia quadra coberta e sim um velho campo de chão batido, onde no fundo havia uma velha casa em ruínas e uma pequena horta. A velha cerca de tela deformada, servia como uma pequena rede onde os mais preguiçosos a avessos aos esportes como eu se deitavam. No fim da aula lembro-me que o esporte predileto era descer correndo por um velho trilho no mato até a rua de baixo, onde hoje se encontra um grande prédio. Tínhamos que ser rápidos, porque descer pelo trilho de terra no mato gerava até a temível visita ao “gabinete”, terror dos pequenos infratores de então. Naquela época tínhamos não um medo reverencial, mas sim um profundo respeito pela autoridade dos professores e diretores da escola, tão em falta nos dias de hoje.

                Mas sempre que volto a minha escola algo me incomoda, no caso o espaço. Na minha lembrança as salas, os corredores e a cantina eram todos gigantescos. Menino franzino, me encolhia frente a grandiosidade do prédio. Hoje algo estranho ocorre, me parece tudo tão pequeno, quando desço ao andar de baixo confesso que tenho que me abaixar ao final da escada para não bater minha cabeça. Ou tudo se encolheu ou fui eu que cresci, não sei. Talvez todos nós tenhamos crescido, mas a velha escola ainda está firme, levando conhecimento e instrução e formando o caráter de nossas crianças. Sempre que volto ao Ari Carlos não consigo parar de pensar nesta passagem de Ernest Hemingway em “Verdade ao Amanhecer”:

                “Toda infância tem seus lugares míticos. Aqueles que lembramos e visitamos quando estamos dormindo e sonhando. São tão belos a noite quanto eram em nosso tempo de criança. Mas se você algum dia voltar para vê-los, eles não estarão mais lá. Contudo, se tiver a sorte de sonhar com eles, verá que a noite serão tão maravilhosos como sempre foram.”

4comentários
500 caracteres restantes.
Seu nome
Cidade e estado
E-mail
Comentar
* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou com palavras ofensivas.
Mostrar mais comentários
Santo Antônio do Amparo - MG
Santo Antônio do Amparo - MG
Atualizado às 00h35
Poucas nuvens Máxima: 20° - Mínima:

Sensação

19.9 km/h

Vento

89.1%

Umidade

Fonte: Climatempo
Anúncio
Supermercado JA
Municípios
Agro Sucesso
Últimas notícias
espaço vazio
espaço vazio
espaço vazio
Mais lidas
Anúncio
Anúncio