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LOCAL CRÔNICA AMPARENSE

FALTOU MUITA COISA

Pensando no que não ocorreu

15/09/2020 12h40
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Por: Redação
FALTOU MUITA COISA

Já algum tempo sem escrever, até porque em tempos de peste a inspiração falta e a caneta trava, arrisco-me mais uma vez a encarar o enfadonho tema da pandemia e seus efeitos na vida de todos nós, em especial aqui em nossa pátria amparense.

            Triste, olho os meses passados e não tem como deixar de pensar em tudo que faltou e no grande espaço não preenchido pelos nossos eventos cotidianos amparenses, refiro-me aqui as nossas celebrações e festas mais caras. Eventos estes que marcam a cidade e, como não poderia deixar de ser, registram muitas e boas lembranças na mente de cada um de nós.

            Com a pandemia, como o próprio título desta crônica está a enunciar, faltou muita coisa a todos nós amparenses. Desde seu início no mês de março, até os dias de hoje quanta coisa não aconteceu e quantos momentos não puderam ser registrados na nossa memória.

            Logo em seu início, a pandemia nos privou de um dos eventos religiosos mais marcantes. Embora continuasse santa, naquela semana de abril ficamos privados dos eventos religiosos que marcam a vida de católicos, como eu, que não puderam acompanhar nossas tradicionais procissões e demais eventos de devoção. Não muito ligado a carnaval sempre ficava ansioso pelo período da quaresma, que para mim findava impreterivelmente na procissão do enterro, na sexta feira da paixão. Este ano ficou o sentimento amargo de não acompanhar a mesma, ouvir as notas tristes executadas por nossa banda e ficar sem o cheiro do incenso queimado que tantas lembranças me trazem da infância.

            Como se não bastasse, também ficamos privados de um dos eventos mais marcantes da cidade, a festa de nosso padroeiro Santo Antônio. O mês de junho, que sempre me trouxe o acalento do frio de nosso inverno, sempre começava com o anunciar da festa, no caso as canções ao meio dia, seguidas do estalar de fogos de artifício dizendo a todos que a festa maior se aproximava. Quem não se lembra do marcante refrão “Santo Antônio rogai por nós, intercedei a Deus por nós......”. Até que alguma música teve, mas faltou a alegria da festa, afastada pelas preocupações da pandemia.

            E pior, nestes tempos tristes ficamos privados de um dos eventos sociais mais marcante e fundamental para a confraternização das famílias amparenses. Não tivemos barraquinhas, não tivemos guloseimas, frangos, leitoas, doces e tantos quitutes oferecidos espontaneamente pelas famílias amparenses em leilão. Como era bom acompanhar as saudáveis disputas, quer no preço, quer na qualidade dos itens postos a venda, a enunciar a devoção das famílias e o desejo de estarem todos juntos.

            Procissão de Santo Antônio não teve, como não tivemos aqueles magníficos shows pirotécnicos, espetáculo de luzes e sons, aquelas bombas que faziam o chão tremer e representavam o ápice da festa maior de nossa cidade.

            Faltou o desfile cívico, onde nossas escolas demonstravam nossa história e nossos valores, onde nossos políticos ali no palco tinham o contato direto com a população, marcando de forma solene o passar de mais um ano na rica história amparense que já remonta a 250 anos.

            Cada um destes eventos representa um marco na vida de cada um de nós. Eles nos trazem a lembrança de bons momentos do passado e servem como uma espécie de calendário mental a demonstrar o correr de mais um ano. Mas pandemia, neste fatídico 2020 interrompeu tudo. Tradições seculares foram simplesmente canceladas e um grande espaço em branco veio marcar um ano difícil para todos nós.

            Mas como tudo na vida, os indícios de um novo tempo se apresentam, fazendo parecer, ao menos, que este maldito vírus já dá sinais de cansaço. A esperança de novos tempos nos anima, e quem sabe já podemos em um futuro próximo pensar a Praça Governador Valadares repleta de gente a festejar e ter esperança num futuro melhor. Que seja assim.

Crônicas Amparenses
Sobre Crônicas Amparenses
Coluna semanal com crônicas do advogado e escritor Rômulo Resende Reis. O autor é natural de Santo Antônio do Amparo, advogado e escritor, é professor do curso de Direito do UNILAVRAS, Mestre em Direito e membro da Academia Lavrense de Letras. Traz nas suas crônicas lembranças afetivas e um pouco da história de Santo Antônio do Amparo, assunto que tem pesquisado com afinco nos últimos tempos visando a publicação de um livro sobre o tema.
Santo Antônio do Amparo - MG
Atualizado às 15h24 - Fonte: Climatempo
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